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terça-feira, 20 de julho de 2010

ÁLCOOL E ADOLESCENTES !!!!

Começo dizendo que, as indústrias de tabaco e de bebidas alcoólicas guardam semelhança em vários aspectos. Primeiramente, ambos os produtos infligem altíssimas conseqüências negativas sobre a saúde da população. O consumo de tabaco ainda é a principal causa de morte, potencialmente evitável em seres humanos. Por outro lado, os custos atribuídos ao consumo de bebidas alcoólicas (segundo dados da Organização Mundial de Saúde) no total da Saúde Pública na América do Sul atingem espantosa marca de 8% a 15%, enquanto que a taxa mundial é de apenas 4%. Digo que particularmente entre os mais jovens há uma associação freqüente de consumo nocivo de álcool com violências, acidentes automobilísticos, sexo desprotegido, faltas na escola e no trabalho etc.
Outra semelhança é a longa história da associação dessas indústrias com esportes, que se tornou especialmente proeminente e integrada nas últimas décadas. A publicidade de bebidas alcoólicas usando elementos do mundo esportivo mantém-se firme. Pergunto, como é que o consumo de álcool associado ao esporte não é percebido como uma ironia cultural? Como aconteceu que o fã de esportes passou se sentir a vontade opinando sobre a performance dos atletas, com uma cerveja na mão? A resposta é que essa associação foi criada e alimentada por questões puramente mercadológicas, com a contribuição de inúmeras estratégias de marketing. A distribuição do consumo de álcool no Brasil é altamente concentrada nos homens (78%) e na faixa etária dos 18 anos aos 29 anos de idade (40% versus as demais idades). Dessa forma, é de interesse da indústria de bebidas apostar suas principais fichas na publicidade para homens jovens. E onde, melhor que nas transmissões esportivas, pode-se encontrar esse grupo de forma altamente concentrada? A publicidade do álcool ligada aos esportes proporciona também desejável (embora de fato inexistente) relação com estilo saudável, dinâmico e divertido de vida. Mas outro fator altamente relevante é que eventos esportivos ligados a marcas de bebidas alcoólicas proporcionam a oportunidade de sedimentar à marca da bebida, associando-a com o nome do evento pela menção nos comentários esportivos, comerciais com músicas empolgantes e nos ambientes (como nos estádios, por exemplo). Por essa e outras razões a maior parte da exposição, não só dos jovens, mas também das crianças e adolescentes, a publicidade de cerveja na TV ocorre nos esportes. De fato, uma pesquisa brasileira recente realizada com apoio da FAPESP encontrou que 87% do merchandising e mais de 70% das propagandas da TV aberta de bebidas alcoólicas estavam nos intervalos ou durante programas esportivos. Concluo que todo o Brasil esteve animado com os Jogos da Copa e agora com os Jogos do Brasileirão. Falo que as crianças, particularmente os meninos, sabem os nomes dos jogadores de cor de seu time. Nós, pais, esperamos ansiosos a hora de assistir aos jogos com eles (nossos filhos). Cada vez que assistirem a um jogo (assim com aos programas de comentários esportivos), as crianças aprenderam que os jogadores que passaram pela seleção brasileira, são seus heróis, são os guerreiros em batalha contra o resto do mundo, que isso tem ligação com uma marca de cerveja, ok? Minha reflexão é que o uso comercial de nossa seleção por uma marca de cerveja, não é liberdade de expressão, mas forma sofisticada de estimular a dependência do álcool, desde a mais tenra juventude. Defino dizendo que, qual símbolo que queremos associado ao nosso futebol? Essa pergunta deixo aos nobres colegas!!!

Adalberto do E. S. Alves – professor e pedagogo – 20 de julho de 2010.

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